Estudo: Células e Som

Fig.1  Irradiação das células endoteliais num recipiente de cultura Segundo as análises da bióloga celular Drª Maria Anna Pabst, estão reunidas as condições para se formular as primeiras hipóteses sobre o efeito „revitalizar“da massagem de som, ao nível das células. Muitas pessoas já experimentaram o efeito benéfico da massagem de som. No entanto, coloca-se a questão: a massagem de som atua ao nível das células, atua ao nível psíquico ou atua no homem a um nível global? Para tentar responder a esta questão, analisamos qual o efeito do som de uma taça, nas células de cultura celular. Para esta experiência com som foram utilizadas células endoteliais humanas. As células endoteliais revestem vasos sanguíneos e linfáticos numa camada de células planas. Isto quer dizer que fazem fronteira diretamente com o sangue que corre nos vasos sanguíneos e com os vasos linfáticos. São células que se adaptam num recipiente a condições mecânicas e fisiológicas. Lipton (2006) descreve que, nas suas experiências, as células endoteliais em culturas de células “observam” ao pormenor o seu ambiente e alteram o seu comportamento, segundo as “informações” disponíveis. Lipton descobriu que essas células sensíveis se movem em direção a nutrientes, e se afastam de toxinas, o que constitui um comportamento „inteligente“ das células individuais. Nestas experiências foram isoladas células endoteliais dos vasos sanguíneos (artérias) da placenta humana, e foram colocadas num recipiente de cultura com nutrientes específicos para crescerem. Foram realizados cinco ensaios com várias medições. Durante três dias consecutivos as células receberam som de uma taça de som terapêutica Peter Hess® , Taça do Coração, de diâmetro de 23 cm (ver figura 1), durante uma hora. Os recipientes de cultura foram tapados com algumas camadas de celulose, e colocu-se a taça em cima. A taça de som foi tocada de dez em dez segundos, com uma baqueta de feltro, alternadamente, três vezes do lado direito e três vezes do lado esquerdo. As medições de frequências da taça de som e do recipiente de cultura que se encontra por baixo, foram feitas através de um vibrómetro laser e  apresentaram uma variedade de frequências, que se sobrepunham parcialmente, interferindo umas com as outras. Os dados eram apresentados até 10 kHz. As faixas principais de frequência situavam-se na taça de som, entre 455 e 3472 Hz (figura 2a), e no recipiente de cultura, entre 442 e 3421 Hz (figura 2b). Só foi possível medir oscilações na taça de som, não nos recipientes de cultura. As oscilações ocorrem por sons semelhantes a frequências, que se  reforçam como também se extinguem periodicamente. As oscilações da taça de som levaram a uma modulação de volume periódica (batimento) com uma frequência de 5,8 Hz. Como controle às células irradiadas, foram colocados adicionalmente numa sala à parte, recipientes de cultura de células com o mesmo número de células endoteliais, e do mesmo isolamento. Colocou-se da mesma forma uma taça do coração sobre elas. Com as mesmas condições ambientais de temperatura, os recipientes de cultura foram deixados em repouso durante uma hora sem que se tocasse a taça de som. Um dia após o último tratamento de som, as células irradiadas e as células de controle foram examinadas microscopicamente com um microscópio de contraste de fase.

 Espectrograma da taça de som 

 Espectrograma da taça de som   Figura 2a: Medição de frequência da taça do coração utilizada para a irradiação. 


Espectrograma do recipiente da cultura das células


 Figura 2b: Medição de frequência no recipiente de cultura de células por baixo da taça de som que foi tocada.

Não foram encontradas diferenças morfológicas entre as células tratadas com a taça e o grupo de controle. Algumas células foram preparadas para a microscopia eletrónica, para investigar quaisquer alterações ultra-estruturais.  Para a microscopia eletrónica (REM, observação de superfície), as células endoteliais foram induzidas a crescer nos vasos de cultura em placas de vidro. Para a microscopia de transmissão (TEM, radiografias de camadas finas) foram colocadas películas de plástico nos vasos de cultura para as células crescerem. Por um lado foi interessante ver as estruturas de superfície das células no REM, por outro lado, foi também importante olhar para o interior das células no TEM. Para este propósito, as células foram embebidas em resina e foram feitos cortes de cerca de 60mm de espessura, permitindo uma avaliação das diversas organelas celulares, que são de certa forma pequenos órgãos com diversas funções dentro das células. As células endoteliais formam, como já foi mencionado acima, uma camada contínua de células como um revestimento interior dos vasos sanguíneos do organismo. Quando são isoladas, elas tentam formar, na cultura, uma camada única e coerente através de divisão de células em crescimento.


 Figura 3a: Imagem de células endoteliais que receberam som.


 Figura 3b: Imagem REM de células endoteliais não irradiadas (controle}. Aumento Original 750 x


 Durante o seu crescimento na cultura de células, estas células, inicialmente sob forma de extensões que fazem contactos com as células vizinhas, podem crescer, finalmente, numa forte ligação. Nestas projeções não foram detetadas diferenças entre as células irradiadas e células de controle (figura 3a e 3b). Além disso, as saliências finas sobre a superfície do meio das células (microvilosidades), não apresentaram diferenças morfológicas entre os dois grupos de células. Na seção fina TEM não foram detetadas diferenças na morfologia das organelas celulares (figura 4a e 4b). Figura 4a e Figura 4b:



 Imagem TEM de uma célula endotelial irradiada (parte da célula). Retículo endoplasmático rugoso (seta], lisossoma) com produtos de degradação (asterisco. aumento original x 12.000.

Mantiveram as suas estruturas habituais: núcleos (a principal transportadora de informação genética), retículo endoplasmático rugoso (locais da síntese proteica), aparelho de Golgi (local de transformação de proteínas e formação de vesículas de secreção) e Lisossomos (organelas digestivas da célula para reduzir as substâncias que já não são necessárias). Via-se em ambas as células irradiadas, assim como nas organelas, controles intactos e relativamente comuns ao processo de degradação intracelular. Adicionalmente, as células foram examinadas com um contador de células Casy. Trata-se de um dispositivo no qual as células podem ser enviadas por um capilar (tubo de vidro) e contadas individualmente. Além disso, pôde ser medida a resistência da carga celular da membrana. A carga da membrana celular dá informação sobre a vitalidade, quer dizer, sobre a „saúde“das células. Com o contador Casy foi determinado o número total de células, as vivas e a quantidade de detritos celulares (restos). Por outro lado, foi medida a enzima LDH (lactato desidrogenase) no meio da cultura, a qual fornece informações sobre a quantidade de células mortas. Esta enzima encontra-se presente normalmente no interior das células. Quando as células morrem, é libertada através delas LDH para o meio circundante, que pode ser determinado lá. Apesar de morfologicamente não terem sido encontradas diferenças entre as células irradiadas e de controle, podemos dizer que, com o contador de células Casy foram encontradas diferenças significativas entre as mesmas. Verificou-se que o número total de células após a irradiação e o número de células vivas, são significativamente mais elevados (p = 0,026 e p=0.017) em comparação com os controles (definida em último com o 1) e que, a quantidade de detritos de células, é aproximadamente igual ao controle após a irradiação. A concentração de LDH é leve após a irradiação, mas não reduziram significativamente (figura 5).

 Figura 5: Apresentação gráfica de vários valores medidos de células irradiadas em comparação com células não irradiadas (controle).


 No geral, a afirmação é válida ao dizer que, após a irradiação, as células dividem-se mais facilmente e que a mortalidade é reduzida ligeiramente. O que acontece no meio da cultura, ou nas células, quando as ondas sonoras interagem com elas? O meio da cultura é uma fase aquosa, e também as células são constituídas em grande parte, de água. Se a água for posta a vibrar, formam-se diversos padrões de figuras, consoante às diferentes frequências dos sons (Lauterwasser 2002, 2005). Para além disso, formam-se diversas imagens de som na água segundo exemplos de música escolhidos.


Lauterwasser descreve que se forma uma sequência rítmica através das vibrações. Isto poderia ter efeitos sobre as células endoteliais, se oscilarem por serem irradiadas. Para além do elemento água, as membranas celulares também podem ter um papel importante na vibração. Na superfície da membrana e nas membranas no interior das células estão incorporadas proteínas (moléculas de proteína) com várias funções. As proteínas do recetor atuam como órgãos sensoriais (por exemplo, olhos, ouvidos, órgãos do paladar). Lipton (2006) argumenta que elas funcionam como antenas nano-moleculares que são direcionadas a determinados sinais ambientais. Para cada sinal de ambiente, que se pode analisar, são formados certos recetores. Alguns recetores respondem a sinais físicos. São diversas moléculas como, por exemplo, histamina, estrogénios ou insulina. Segundo Lipton, as antenas dos recetores também podem captar energias vibratórias tais como luz, som e frequências de rádio. A carga da proteína altera e o recetor altera a sua forma (Tsong 1989). Algumas células especializaram-se na perceção das vibrações. Assim como, por exemplo, as células dos ouvidos se especializaram na perceção de estímulos mecânicos (ondas sonoras), as células foto-recetoras especializaram-se na perceção de ondas eletromagnéticas (luz). Também nestas células a membrana celular tem uma grande importância na perceção dos sinais. Moléculas recetoras permitem a perceção de sinais ambientais, mas a célula deve ser capaz de responder a estes sinais. Para isso, são necessárias outras proteínas que colocam um mecanismo de reação em movimento, de modo a que os sinais ambientais sejam processados no interior da célula e traduzidos em comportamento celular. Porque é que as células endoteliais não devem ser capazes de perceber e responder às vibrações, se também estão expostas a diversos fluxos sanguíneos no organismo? O meio de cultura das células que é transmitido através das vibrações da taça de som, não alcançam apenas a membrana superficial da célula, mas também, são transmitidas às membranas existentes no interior da célula, de forma a que todo o “sistema de órgãos” da célula entra em vibração. As vibrações da taça de som provavelmente não têm apenas influência na região líquida das células e no sistema de membrana celular, com as suas várias funções. Como sinais do ambiente, provavelmente também têm influência nos processos no núcleo da célula, como por exemplo, na divisão celular de células “normais”, como se pode ver nos resultados das experiências de som. Além disso, é concebível que, mesmo vibrações naturais das diferentes moléculas nas células possam ser influenciadas através de sons das taças de som, e assim é exercida influência sobre as funções das células.


De acordo com os resultados anteriores parece que as vibrações da taça de som têm influência na divisão das células endoteliais na cultura celular. As experiências da cultura celular acima apresentada, foram executadas no Instituto de Biologia Celular, Histologia e Embriologia, na Universidade Médica de Graz em colaboração com:

 Prof. Dr. Berthold Huppertz, Prof. Mag Drª Ingrid Lang-Olip, Elisabeth Bock, Mag. Angela Schweizer-Trümmer e Mag. A medição da frequência, no Instituto de Zoologia da Universidade de Karl-Franzens – Universidade de Graz, por Prof. Dr. Heiner Römer e Dr. Manfred Hartbauer.


 Mag. Dr. Maria Anna Pabst é professora universitária de biologia celular, histologia e embriologia na Universidade de Graz. É orientadora de meditação, fez formações em métodos de auto-cura e na massagem de som Peter-Hess. Ela trabalha com métodos katathym (imagens internas), é Mestre de Reiki e lida com plantas medicinais e cosméticos naturais.